O Tanque de Betesda

  • 12 de fev, de 2021

O Tanque de Betesda era um complexo de dois tanques no vale de Beit Zeita, ao leste de Jerusalém. Hoje, suas ruínas são encontradas dentro da cidade murada, no bairro muçulmano, muito perto do Portão do Leão.

A primeira piscina foi criada durante o século VII a.e.c. Uma barragem transversal de 6 metros de largura foi construída no vale criando uma presa para conter a água da chuva. Talvez, esta presa seja o “tanque superior” mencionado no Livro II Reis (17:18), que estava “no caminho do campo dos lavadeiros”. Outra menção ao “tanque superior” aparece no livro de Isaías, reforçando a hipótese de que era utilizado pelas lavanderias da cidade (Isaías 7: 3). 

No terceiro século a.e.c., aparentemente por iniciativa do sacerdote Simão o Grande, outro tanque foi construído no local, usando a presa como parede divisória. De acordo com a crença popular, esses dois tanques eram chamados de “tanques para ovelhas” ou “tanque probático”, porque eram usados para lavar os rebanhos trazidos para sacrifício no Templo. 

Ao contrário dessa crença, o arqueólogo Shimon Gibson explica que as piscinas foram construídas como parte do sistema de água de Jerusalém, mas não para beber ou se divertir (nadar?), mas para purificação ritual. A piscina norte serviu como um reservatório de água, enquanto a piscina sul serviu como “Mikvé Tahará”, piscina para banhos rituais. Uma escada de 35 m de largo permitia descer até a água para tomar o banho purificador, que tinha que ser de imersão, em hebraico “Tvilá”.

Vista das ruínas do Tanque Betesda nas proximidades do Portão do Leão, na Cidade Velha de Jerusalém
Vista das ruínas do Tanque Betesda nas proximidades do Portão do Leão, na Cidade Velha de Jerusalém

 

Os tanques estavam rodeados por quatro pórticos (Stoa em grego) e um quinto conectava as duas piscinas. Um canal esculpido no calcário tornou possível controlar o fluxo da água e manter o nível de profundidade na piscina sul, para permitir a Tvilá ou “batismo” dos judeus, uma vez que batismo foi usada pela Septuaginta para traduzir o termo “Tvilá”.

Uma descrição dos tanques aparece no Novo Testamento. Perto do portão denominado “das ovelhas”, no local denominado “Tanque de Betesda”, Jesus realizou um milagre no qual curou um homem que ali estava há 38 anos, fraco ou doente (o texto grego não diz paralítico!).

Após 135 e.c., com o estabelecimento de Aelia Capitolina como uma cidade pagã por Adriano, banhos medicinais e altares ao deus da medicina Asclépio, que curava doenças, foram construídos no local.

Durante o período bizantino, foi construída uma grande igreja em forma de basílica e o local foi dedicado a Maria, a raiz da intensificação da adoração à mãe de Jesus, promovida pela Imperatriz Eudocia.

No início do século 11, a igreja foi destruída pelo califa fatímida El Hakim Be-Amer Alah. Depois da Primeira Cruzada, nas ruínas da igreja bizantina, os cruzados construíram uma pequena capela e uma grande igreja de estilo românico dedicada a Santa Ana. A cripta da igreja, segundo a tradição, foi o local de nascimento da filha de Ana e Joaquim, pais da Virgem Maria.

Cinco anos após a derrota dos cruzados em 1187, a igreja tornou-se uma mádrasa (escola muçulmana) dedicada ao “libertador” de Jerusalém, Saladino.

No século XIX, o edifício serviu de estábulo para a guarnição turca local. Os turcos entregaram o local ao governo francês em 1856, em agradecimento por sua ajuda decisiva durante a Guerra da Crimeia. Por sua vez, os franceses cederam o lugar à Ordem dos Padres Brancos. Esta ordem foi estabelecida para a atividade missionária na África.

As escavações arqueológicas realizadas por estes iniciaram-se em 1862 e prosseguiram até 2009, permitindo a identificação dos tanques e igrejas acima mencionadas.

 

Reconstrução das Piscinas Bethesda na maquete de Jerusalém do século I, no Museu de Israel

 

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